Portugal mourned the German dictator

Mar 2017
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Matosinhos Portugal
On May 2, 1945, two days after Adolf Hitler's suicide at his bunker in Berlin, Portugal, despite being a neutral country, was in mourning for the Nazi dictator. What did António Oliveira Salazar know of the Holocaust when he declared national mourning? Two scholars of Salazarism say that Salazar, the president of the Portuguese Council and Minister of Foreign Affairs, was aware of the existence of Nazi death camps, such as Auschwitz, and also knew of the efforts of Portuguese diplomats such as Aristides Sousa Mendes and Sampaio Garrido , to save Jews by giving them passports and diplomatic protection.
Three years before the end of the war, Salazar already knew stories of the horror of the Nazi camps, but perhaps he agreed with the censorship, according to which the descriptions of the Portuguese Catholic newspaper A Voice were "fanciful or at least exaggerated." The text in question should have been published on the first day of 1942, but the censors cut "a few sentences from the article by attributing" to the Germans the practice of the greatest cruelties against children "and that because they are" so horrible " could only be fanciful, according to historian Irene Pimentel. The article was titled Worst Entries and was sent to Salazar for censorship.
In the possession of the Portuguese government was also, at least since November 1944, the face-to-face report of two Jews fled two years after Auschwitz, Rudolf Vrba and Alfred Wetzler. The historian António Louçã considers that the fact that Portuguese diplomacy received this report proves that Estado Novo was aware of Nazi war crimes, long before the national mourning for Hitler's death.
Hitler committed suicide with a gunshot wound on April 30, 1945. By that time Russian troops had entered Berlin and were one block from the refuge where the German dictator spent the last few days, a bunker located under the chancellery. Two days later it was declared national mourning in Portugal: on May 2, 1945, it was ordered "the laying of the flags at half-stature for the death of Hitler, a foreign head of state," writes the historian Fernando Rosas.
Irene Pimentel recalls the "legalism" of the Estado Novo and rules out the possibility that national mourning may have been declared by ideological affinities with the Nazi regime. Salazar was not a "pro-Nazi", he was more of a "conservative Catholic" and his regime did not have "the racist and anti-Semitic component," says Pimentel. But "he never wanted the defeat [of Germany], he wanted to sign a peace in which there were no winners or losers, which was absurd at the time."
The mourning sparked "a wave of international protests and a major domestic scandal," Rosas writes. After eight days of national mourning, "Salazar ordered that no further public reference be made to the subject that had been" maliciously exploited, "according to Pimentel. At the same time that he decreed his mourning, Salazar froze the German assets and let the intercalated commission close the German schools of Lisbon and Porto, points out Irene Pimentel. João pacheco


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In portuguese


Portugal ficou de luto pelo ditador alemão

A 2 de Maio de 1945, dois dias depois do suicídio de Adolf Hitler no seu bunker em Berlim, Portugal, apesar de ser um país neutral, esteve de luto pelo ditador nazi. O que sabia António Oliveira Salazar do Holocausto quando declarou luto nacional? Dois estudiosos do salazarismo dizem que Salazar, presidente do Conselho português e ministro dos Negócios Estrangeiros, estava ao corrente da existência de campos de extermínio nazis, como o de Auschwitz, e também sabia dos esforços de diplomatas portugueses, como Aristides Sousa Mendes e Sampaio Garrido, para salvar judeus, dando-lhes passaportes e protecção diplomática.
Três anos antes do fim da guerra, Salazar já conhecia relatos do horror dos campos nazis, mas talvez tenha concordado com o parecer da censura, segundo a qual as descrições do jornal católico português A Voz eram "fantasiosas ou pelo menos exageradas". O texto em causa deveria ter sido publicado no primeiro dia do ano de 1942, mas os censores cortaram "algumas frases do artigo por atribuírem "aos alemães a prática das maiores crueldades contra as crianças" e que por serem "de tal maneira horrorosas"" só poderiam ser fantasiosas, segundo cita a historiadora Irene Pimentel. O artigo intitulava-se Piores entradas e foi enviado a Salazar pela censura.
Na posse do governo português estava também, pelo menos desde Novembro de 1944, o relatório presencial de dois judeus fugidos dois anos depois de Auschwitz, Rudolf Vrba e Alfred Wetzler. O historiador António Louçã considera que o facto de a diplomacia portuguesa ter recebido este relatório prova que o Estado Novo estava ao corrente dos crimes de guerra nazis, muito antes do caso do luto nacional pela morte de Hitler.
Hitler suicidou-se com um tiro na boca a 30 de Abril de 1945. Nessa altura já as tropas russas tinham entrado em Berlim e estavam a um quarteirão do refúgio onde o ditador alemão passou os últimos dias, um bunker localizado sob a chancelaria. Dois dias depois foi declarado luto nacional em Portugal: a 2 de Maio de 1945 foi ordenada "a colocação das bandeiras a meia haste pela morte de Hitler, um chefe de Estado estrangeiro", escreve o historiador Fernando Rosas.
Irene Pimentel lembra o "legalismo" do Estado Novo e descarta a possibilidade de o luto nacional ter sido declarado por afinidades ideológicas com o regime nazi. Salazar não era um "pró-nazi", era mais um "conservador católico" e o seu regime não teve "a componente racista e anti-semita", diz Pimentel. Mas "ele nunca quis a derrota [da Alemanha], queria a assinatura de uma paz em que não houvesse vencedores nem vencidos, o que era absurdo naquela altura".
O luto provocou "uma onda de protestos internacionais e grande escândalo interno", escreve Rosas. Passados oito dias do luto nacional, "Salazar ordenava que não se fizessem mais referências públicas ao assunto que tinha sido "malevolamente explorado"", segundo Pimentel. Ao mesmo tempo que decretou o luto, Salazar congelou os bens alemães e deixou que a comissão interaliada fechasse as escolas alemãs de Lisboa e do Porto, salienta Irene Pimentel. João pacheco
 
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